Pular para o conteúdo principal

Sua empresa deve contratar um seguro para riscos cibernéticos?





A medida em que os dados se tornam cada vez mais importantes para as empresas, as consequências de invasões podem ser ainda mais desastrosas.

Atualmente, a segurança cibernética é uma das maiores prioridades das empresas. Apesar de alguns tipos específicos de ataques estarem diminuindo, não faltam histórias sobre companhias que sofrem violações de dados.

No mês passado, a Norsk Hydro, conglomerado industrial norueguês com empresas de produção de alumínio e energia renovável, teve 22 mil computadores desligados em 170 locais diferentes em todo o mundo após um ataque de ransomware. Embora a empresa tenha optado por não ceder às exigências de resgate dos hackers, a retomada da operação custou à companhia mais de 57 milhões de dólares.

À medida em que os dados se tornam cada vez mais importantes para as empresas, as consequências de invasões podem ser ainda mais desastrosas. Infelizmente, as medidas tradicionais de segurança nem sempre são adequadas, já que o que se observa são ataques cada vez mais sofisticados e direcionados.

Diante de todo esse cenário, afinal, qual é a solução? Empresas que tem seus bens físicos roubados geralmente têm seguro para cobrir os danos. O mesmo pode ser feito em casos de violação de dados? E os seguros de riscos cibernéticos são capazes de atenuar os danos causados por ataques de escala como foram os da Norsk Hydro?

O que é o seguro de riscos cibernéticos? 

O seguro cibernético não é um conceito novo. Ele apareceu pela primeira vez na década de 1990 e continuou a ganhar popularidade desde então. No entanto, apesar de um relatório recente da Telstra Security alegar que 36% das empresas atualmente têm esse tipo de seguro, ainda há várias dúvidas sobre quais proteções as seguradores devem oferecer em casos de ataques.

No início deste ano, foi relatado que a Zurich American Insurance Companyse recusou a pagar uma apólice depois que a empresa americana de alimentos Mondelez perdeu 1.700 servidores e 24.000 laptops durante o ataque NotPetya, em 2017. Por outro lado, a violação de dados da Equifax, que afetou mais de 147 milhões de pessoas e custou à empresa US$ 439 milhões, foi parcialmente coberta pelo seguro.

"O recente crescimento de seguros cibernéticos chegando ao mercado mostra que milhares de pequenas e médias empresas estão contratando produtos cheios de contingências técnicas que poderiam - e frequentemente fazem - anular suas reivindicações", explicou Michael Mittel, presidente e gerente geral da especialista em segurança cibernética RapidFire Tools.

Ao adquirir um seguro sem clareza sobre o que é coberto pelas companhias, as organizações dificilmente sabem em quais situações seriam reembolsadas.
Existem maneiras melhores de gerenciar riscos?

Depois dos ataques contra a Norsk Hydro, diversos porta-vozes da empresa fizeram declarações públicas alegando que a companhia contava com uma robusta política de seguro cibernético. Apesar disso, Eivind Kallevik, diretor financeiro, explicou em coletiva de imprensa que o seguro tem um "teto", sem especificar o valor.

Calcular o risco para empresas de variados setores não é tarefa simples e, com poucas pessoas dispostas a declarar publicamente casos de violação de seus dados, as seguradoras que buscam entrar no mercado de seguros cibernéticos lutam para encontrar informações que respaldem suas políticas de cobertura.

Outra questão importante é que, em geral, a contratação de seguros fica nas mãos do CFO, o que significa que os profissionais de segurança podem acabar tendo pouco envolvimento na seleção das apólices. Como resultado, os seguros contratados raramente oferecem às empresas o nível de cobertura de que precisam, deixando mais lacunas nas suas estratégias de segurança.

“As empresas ainda giram em torno das cinco classes de ativos clássicos: monetária, física, relacional, organizacional e humana, que imagino que terão seguro para proteger. E, no entanto, eles não colocam a segurança de dados nessa categoria", afirmou George Marcotte, diretor da Accenture Digital. “São apenas as novas empresas que veem os dados como uma sexta classe de ativos. Como os dados se tornam mais vitais para o sucesso dos negócios, não tomar todas as medidas para protegê-los é como esquecer-se de manter as jóias na coroa”, completou.

Um ponto positivo para a recente adoção de seguros cibernéticos é a exigência de que as empresas façam uma avaliação de risco de segurança antes da contratação. Apesar desses testes ainda variarem, fazer com que uma outra companhia analise as estratégias de segurança e se certifique de que medidas básicas, como criptografia, estejam sendo aplicadas pode ajudar a reduzir os riscos a longo prazo.

É claro que os seguros cibernéticos têm sua importância, mas ainda há muito trabalho a ser feito por parte das seguradoras e contratantes antes que essas soluções sejam realmente adequadas. Para além da aquisição de apólices, é fundamental que as companhias invistam em tecnologias para a prevenção e redução de riscos, trabalhando fortemente em parceria com equipes especializadas em segurança.


Foto: Shutterstock 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mesmo guardado na marina, devo fazer o seguro do meu barco?

É muito comum nos depararmos com clientes que acreditam, que por sua embarcação estar guardada em uma marina ela estará protegida de todos os riscos. O que nem sempre é verdade.
Muitas marinas não possuem seguro ou não estão corretamente protegidas devido a dificuldade de contratação junto as seguradoras e ao elevado custo para esta modalidade.
Em um eventual sinistro dentro da marina, o seguro individual de cada embarcação pode ser acionado, trazendo muita tranquilidade ao proprietário, já que a apólice da marina está fora do seu controle, e pode gerar muita insegurança: Será que a mesma está contratada? Estará vigente? Esta com todas as parcelas pagas?
Entra aí a importância do proprietário da embarcação ter o seu próprio seguro.  Ter seguro hoje é algo imprescindível e com um custo bastante acessível para amplas coberturas que vão desde uma avaria parcial à perda total, seja ela por um incêndio, acidente, naufrágio e principalmente, dentro ou fora da marina.
Faça o seu seguro com a Mur…

Seguro Sem "Segurês"

Se toda vez que você vai renovar ou contratar um seguro você fica com a sensação de não ter entendido a maioria das palavras, então você está no lugar certo. Aqui iremos te explicar alguns dos termos técnicos utilizados no seguro de uma forma que não te deixará mais com dúvidas. 😊
Apólice
É o documento oficial do seu seguro – é emitida pela seguradora afirmando a aceitação e cobertura do risco apresentado pelo segurado, seja a de um automóvel, empresa e até mesmo de vida. Ela contém os dados do segurado, seus bens e as coberturas contratadas. É parte integrante da apólice, as condições gerais e particulares, estas dizem respeito as regras do seguro e devem ser seguidas a risca para que você seja indenizado no caso de sinistro.
Sinistro É quando acontece algum evento previsto e coberto na apólice de seguro, causando danos materiais ou pessoais ao segurado, terceiros ou a seus beneficiários. Pode ser um roubo, furto, acidente, incêndio, morte, entre outros.
Bônus
Desconto progressivo que o…

As férias estão chegando!

Quando decidimos viajar, independente se a viagem for de negócio, lazer ou estudo, existem algumas providências importantes a tomar: o melhor destino, o roteiro mais apropriado, estimativa de despesas, as bagagens, documentação, o animal de estimação, se vai ou com quem fica, entre tantas outras, onde se destaca também a segurança da casa, nos casos em que todo o grupo familiar se ausenta.

Poucas vezes quando estamos de partida para uma viagem, não pensamos nos possíveis imprevistos que podem aparecer nesse passeio: qualquer tipo de acidente no trajeto, o extravio de bagagens, a necessidade de uma assistência médica, até mesmo a interrupção da diversão; situações que ninguém quer pensar quando organiza um passeio, mas que são absolutamente passíveis de acontecer.

Quantas vezes então, algumas famílias nem saem para viajar, ou viajam em partes porque não encontram um local adequado para deixar seus animais de estimação? Quando saímos para um passeio de aventura, em quais questões de segur…